Patrick Boltje “Inovação não é apenas tecnologia. A Inovação está em cada pessoa”

Inovação e Criatividade são palavras chave para Patrick Boltje do Rock in Rio que veio para Lisboa do Rio de Janeiro há um ano e meio e já está perfeitamente integrado nesta cidade de abertura e oportunidades, como o próprio diz. A magia acontece no LACS Conde d’Óbidos, um hub frente ao rio, cheio de empreendedores e criativos que nos últimos dias viram o Rock in Rio (RiR) Innovation Week receber centenas de pessoas interessadas em mudar o mundo através da empatia e da tecnologia, e Patrick Boltje esteve no centro de tudo.

 

Depois duma semana que imaginamos ter sido cansativa, mas muito gratificante, qual é o teu o balanço do evento?

Muito positivo. Conseguimos atrair 2050 pessoas, incluindo oradores e visitantes, com uma média de 500 pessoas por dia. Recebemos um feedbak muito positivo de todos os stakeholders e oradores. Tivemos ainda oradores brasileiros a dizer que nada foi deixado a desejar em comparação com eventos semelhantes no Brasil, onde a competição é feroz.

 

Quais os pontos altos e baixos? Como é que o RiR Innovation Week geriu as diferentes situações, em parceria com o LACS?

O ponto alto do evento foi todo o conteúdo que conseguimos trazer. Nós não trabalhamos com celebridades, trabalhamos com pessoas que estão a criar projetos, histórias e ideias que transformam e inspiram, no dia-a-dia.

A curadoria desses conteúdos é o ponto alto do evento. A maioria das conferencias costumam ser mais passivas onde as pessoas se sentam, ouvem os oradores e vão para casa. No Innovation Week queremos que os oradores saiam do palco e que interagem com a audiência pondo em prática os métodos que defendem.

Outro ponto importante é a conexão. Nós queremos que as pessoas se conectem. O rooftop do LACS é uma característica fundamental do evento, permitindo que as pessoas o façam.

 

Houve alguma conferencia que te tenha marcado mais do que outras?

Sim. Trouxemos um formato de workshop que a Galp usa muito como metodologia de formação. É chamado Samurai G e cria uma metáfora para a vida baseada no Judo. A primeira coisa que precisamos de aprender na vida é como cair, e no Judo a primeira coisa que se aprende é como cair corretamente de forma a levantar-se rápidamente para continuar a luta. É também como usar a força do adversário em nossa vantagem. Trouxemos pessoas cegas, pessoas com deficiências físicas e aprendemos que quando alguém tem uma técnica, não precisa de ver ou de se mexer para ganhar. Foi muito interessante de ver.

 

"Nós não trabalhamos com celebridades, trabalhamos com pessoas que estão a criar projetos, histórias e ideias que transformam e inspiram, no dia-a-dia."

 

No que diz respeito a inovação no espaço de trabalho, como é que as empresas portuguesas devem criar um ambiente de trabalho mais inovador?

O Innovation Week baseia-se no propósito do RiR: construir um mundo melhor para pessoas mais simpáticas, empáticas e confiantes. Neste sentido, qual é a perspetiva da inovação que queremos trazer? Não é apenas sobre tecnologia. A inovação está em cada pessoa. Nós precisamos de estar preparados para um mundo em constante mudança. E a inovação vem de pessoas que aceitam a mudança e que querem mudar, abraçando a tecnologia.

 

Para que grande tendência devemos estar atentos na tua opinião?

Acredito que a inclusão digital é uma grande tendência. A forma como podemos aprender sobre as ferramentas que criam novas ideias e modelos de negócio ou novas formas de trabalho. Vamos ter que continuar a nos reinventar – talvez teremos três ou quatro carreiras, ou iremos tirar novos cursos de forma a enriquecer as nossas competências. As pessoas gostam de conforto, estabilidade e trabalho das 9 às 17, mas isso tem que mudar.

 

Como é se faz isso sem que as pessoas se sintam deixadas para tras? Como é que olhamos para as gerações mais velhas ou pessoas que não têm acesso à internet?

Esta vai ser cada vez mais importante à medida que o tempo passa, dado que a esperança média de vida está a aumentar. Pensar que não seremos economicamente viáveis aos 65 anos, deixa-nos desconfortáveis. Obviamente que as pessoas podem criar valor depois dessa idade.

Como é que alguém de 65 anos pode aproveitar toda a experiência acumulada ao longo da vida? Que tipo de perspetivas e insights podem estes seniores acrescentar no trabalho, num mundo em que os modelos de negócio envolvem cada vez mais a componente tecnológica. Há muito potencial inexplorado. Não sei se é devido a dinâmicas de mercado, mas estamos a perder oportunidades.

 

“O LACS é um grande parceiro que nos possibilita criar a dinâmica necessária para o Innovation Week.”

 

Como planeiam continuar esta estratégia de inovação? Algum futuro evento de que nos possas falar?

Bem, nós já estamos a preparar a edição do próximo ano. Nós queremos crescer com o LACS e ocupar uma área maior na zona de Santos, talvez colaborar com o Museu do Oriente, a estação de comboio ou espaços públicos junto ao LACS e ao rio.

 

O RiR está no LACS há já algum tempo. Como é que esta parceria ajudou o RiR a atingir os seus objetivos?

O LACS é um grande parceiro que nos possibilita criar a dinâmica necessária para o Innovation Week. A mistura de espaços e ambientes criativos com várias salas, permite-nos criar experiências imersivas ou abertas, tal como concertos e sessões de networking. É colorido, criativo e leva os nossos visitantes a dizer “Wow”.

 

Como tem sido a tua experiência pessoal de viver em Lisboa? O que podes dizer sobre empreendedores que estejam a pensar mudar-se para Portugal?

Cheguei cá num momento muito especial para Lisboa, uma cidade que está a abraçar projetos inovadores, enriquecendo o seu valor no mundo. Culturalmente, há sempre algo para fazer ou para ver. Podemos encontrar novas ideias de negócios enquanto nos estamos a divertir com a família. É um excelente ambiente para quem queira tornar-se empreendedor. Eu dir-lhes-ia para virem para Lisboa, sentir esta abertura e tirar vantagens disso mesmo, porque existe este ciclo económico positivo onde a mentalidade das pessoas está a mudar. As portas estão abertas.

 

12 jul

Entrevista a Patrick Boltje – Rock in Rio

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